“You Make My Dreams”

É difícil descrever o sentimento de assistir ao vídeo acima (especialmente se é um cinéfilo), mas posso dizer que é um dos vídeos amadores mais geniais e engenhosos que já conferi. Extremamente difícil e complexo em seu plano sequência brilhante, o curta ainda traz a deliciosa canção “You Make My Dream”  de Hall & Oates (para quem não se lembra, o pivô cômico de “500 Dias Com Ela”) para deixar tudo muito mais prazeroso.

Muito obrigado, Shorewood!

Publicado em: às dezembro 31, 2009 em 3:02 am  Comentários (3)  

Meme: as 13 vozes da minha vida

Fiquei sabendo deste Meme de antemão pelo Luciano, do blog A Sala, antes mesmo dele publicá-lo. A idéia automaticamente me chamou a atenção. Acho que é inevitável sermos marcados, em diversos momentos de nossa vida, pela arte. A música surge forte neste quesito. Certas vozes ecoam de formas poderosas por anos a fio, recapturando emoções abandonadas e sentimentos esquecidos. O meme é um interessante ode à esse poder, exemplificado pela força de vocais inesquecíveis. Abaixo, listo então as 13 vozes da minha vida. Existem vários esquecidos, alguns entreolhados e uma vasta maioria que ainda não tiveram a oportunidade de me marcar (afinal, tenho muito a percorrer – e ouvir – ainda). Enfim, segue abaixo minha lista. Ao lado de cada nome, listo a música mais ressoante de cada um, sempre focando a força do vocal.

(em ordem alfabética)

Benjamin Gibbard | A Lack of Color

Bono Vox | So Cruel

Bruce Springsteen | Streets of Philadelphia

Chris Martin | Trouble

David Bowie | Rebel, Rebel

Ian Curtis | Love Will Tears Us Apart

John Lennon | Mother

Johnny Cash | Hurt

Kurt Cobain | Something in the Way

Renato Russo | Tempo Perdido

Michael Jackson | Will You Be There

Tom Chaplin | Bedshaped

Thom Yorke | Creep

*Estranhamente, a lista resultou em uma seleção apenas de nomes masculinos. Para não dizer que fui preconceituoso, faço aqui menções honrosas para Björk, Madonna, Imogen Heap e Dolores O’Riordan.

Repasso o MEME para:
Weiner | Robson | Mayara | Anderson | Marcel

Publicado em: às dezembro 20, 2009 em 8:18 am  Comentários (3)  

O bom, o “bad” e o feio

Com o Oscar virando a esquina e a temporada de premiações à flor da pele, os filmes mais interessantes (e potentes) começam a mostrar suas armas. Uma época que sempre adoro é quando as canções originais começam a ser reveladas. Confesso que ando fugindo dos materiais de divulgação de Nine, para preservar a surpresa para quando for testemunhar o musical na tela grande, então não vou falar nada sobre as músicas dele (que são bem cotadas). No entanto, citarei dois fortes concorrentes à indicação (um nem tanto), e uma música em especial de certa banda que adoro. Ao estilo velho oeste:

O bom

Não é a primeira vez que o gigante U2 compõe originalmente a trilha sonora de um filme. Mas é, até agora, minha composição preferida deles feita especificamente para o cinema. A banda já havia realizado a deliciosa “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me” para o malfadado Batman Eternamente e a linda “The Hands that Built America”, nomeada ao Oscar em 2003 pelo ótimo Gangues de Nova York, de Martin Scorsese. Agora, eles criariam “Winter” para o filme de Jim Sheridan, baseado em drama dinamarquês intenso, chamado Brothers. O filme não tem feito muito sucesso com a crítica, mas estou ansioso para conferir. Mais ainda após escutar esta música simplesmente sensacional, que representa um amadurecimento inegável da banda. As letras são sensacionais. Uma pena que não deve ter potencial para dar as caras na próxima edição do Oscar. Estarei na torcida, porém. Abaixo, as letras hipnotizantes:

The yellow sun / Well it took the hand / Of a country boy / To a city in a far off land / We made no mark / No shadow at all / On the ancient holy streets / Where I learned to crawl / Looking at the bruised / The young and the used / The sure and confused all here / Words will land on me / Then abandon me / Mangle, untangle me / Leave me on the floor / Rhymmes they sprang in me / Summer sang in me / But summer sings in me no more / Now I’m 25 / I’m trying to stay alive / In a corner of the world / With no clear enemies to fight / It’s hot as hell / We’re like butter on toast / But there’s no army in this world / That can fight a ghost / Looking at the bruised / The young and the used / The sure and confused all here / Words would land on me / Then abandon me / Leave me stranded / Knocking on the door / Rhymes began in me / Summer sang in me / But summer sings in me no more / The silence in the foreground / The sky stretched / The stench over everyone / Listen to the tanks / The shots / At 21 / I was born a son / And on that day I knew / I could kill / To protect the ones / Who put the bullets in guns / Or anything it takes / To take a life

Que lamento arrasador sobre os efeitos da guerra, né?

O “bad”

Pegando carona sob U2 e o tema da guerra, nenhuma lembrança é mais contundente que a de “Bad”, uma espécie de hino da banda que, apesar de não tão incisiva em seu furor contra a guerra como “Sunday Bloody Sunday”, é particularmente bela em seu confronto ao patriotismo. Te desafio a encontrar alguma canção tão (ou mais) melodicamente rica e poéticamente retumbante. Abaixo, as letras:

If you twist and turn away / If you tear yourself in two again / If I could, yes I would / If I could, I would / Let it go / Surrender / Dislocate / If I could throw this / Lifeless lifeline to the wind / Leave this heart of clay / See you walk, walk away / Into the night / And through the wind / Into the half-light / And through the flame / If I could through myself / Set your spirit free / I’d lead your heart away / See you break, break away / Into the light / And to the day /  To let it go! / And so fade away / To let it go! / And so fade away / I’m wide awake / I’m wide awake / Wide awake / I’m not sleeping, oh no, no, no / If you should ask then maybe they’d / Tell you what I would say / True colors fly in blue and black / Blue silken sky and burning flag / Colors crash, collide in blood shot eyes / If I could, you know I would / If I could, I would / Let it go / This desperation / Dislocation / Separation / Condemnation / Revalation / In temptation / Isolation / Desolation / Let it go / And so fade away / To let it go, oh yeah / And so fade away / To let it go, oh no / And so fade away / I’m wide awake / I’m wide awake / Wide awake / I’m not sleeping oh no no

O feio

Tentei escutar e não senti motivação em ouvir até o final. Tentei novamente e conclui a canção. Achei horrível. Tentei pela terceira vez e vi lampejos de algo bom. Pela quarta vez, decidi de vez que “I See You”, a música tema de Avatar de Leona Lewis, é um patinho feio, à sombra daquela épica canção romântica composta por Celine Dion há mais de dez anos. Existem semelhanças, acredite. A ponte, por exemplo, é facilmente reconhecível e abraça o mesmo tom de grandeza. É uma pena, mas a canção não funcionou comigo. Soou pedante, forçada e frívola. Para o épico que James Cameron está arquitetando, eu esperava algo mais. Mas a escolha da cantora não é das mais felizes. Fiquei sentindo vazio e com tédio, temendo que o filme pudesse ir pelo mesmo caminho decepcionante. Quem sabe, pela décima vez que eu escutá-la, eu não veja algo além de um mero patinho feio? Difícil, eu sei. De qualquer forma, ao contrário de “Winter”, esta é uma canção que vai forte para a disputa pela estatueta dourada. Depende, claro, do quão ovacionado será Avatar. Não aposto numa vitória, porém. Poderia redigir as letras da canção abaixo, como realizado com as anteriores, mas não me sinto muito motivado. Realmente não fui tocado.

Mas e vocês, o que acham?

Publicado em: às dezembro 11, 2009 em 3:18 am  Comentários (3)  

Arte, a homicida

Dexter, uma série deliciosamente irônica em suas nuances, é baseada em livro de Jeff Lindsay chamado Darkly Dreaming Dexter (que por sua vez chegou ao Brasil sob o execrável título de “Dexter: A Mão Esquerda de Deus”). No seriado, que infelizmente tive a oportunidade de conferir apenas a primeira temporada, temos como protagonista Dexter Morgan, um assassino nato. Dexter foi adotado quando criança e, criado por um policial, teve suas tendências homicidas logo percebidas. Temeroso mas compreensível, o seu pai logo começa a perceber que trata-se de um estado de espírito e mental incorrigível. A solução é quebrar as regras e flexionar a maldição. Assim, o pai de Dexter o treina para matar as pessoas “certas”, aquelas que não são punidas pela lei e vagam pela Terra com misericórdia. O ensina também a realizar assassinatos perfeitos, sem rastros. Na vida adulta, Dexter se torna um serial killer muito preciso e hábil – nunca assassinando inocentes, vale dizer – ao mesmo tempo que trabalha na área da forense (análise de sangue) na polícia, ao lado de sua irmã.

Dito isso, foi com imenso choque que li nesta semana sobre um adolescente de 17 anos que estrangulou o irmão de 10 e revelou ter sido inspirado por Dexter Morgan. Na verdade, as palavras certas foram “eu me sentia como Dexter”. Foi revelado também que o garoto assumiu o crime e não sentiu qualquer remorso. Ele comparou o homicídio com o ato prazeroso de se comer um hamburguer. Perturbador, não? Mais ainda pelo fato de que agora Dexter, que já não é politicamente correto, se transformará em alvo para as massas e mídias. Isso não é novo, claro. A arte em sí, especialmente o cinema, tem sido vítima de ataques frenquentes por ter “inspirado” e “estimulado” atos violentos e indecentes.

Me vem em mente o caso do assassinato em massa em uma escola dos Estados Unidos cometida por Cho Seung-Hui. O garoto, que havia sido diagnósticado como mentalmente perturbado, enviou imagens para rede televisiva onde incitava a violência. Um professor da própria escola alertou, então, que as imagens traziam uma clara referência que o remetia ao filme Oldboy, de Chan Wook-Park, um conto de vingança brutal (e brilhante). Assim, começou uma sadia (?) discussão acerca da cultura violenta e as influências desta sobre a sociedade. Resultando na desmistificação da arte diante de sua subjetividade e verdadeiros valores, normalmente subjugados.


O que as pessoas parecem, ignorar, no entanto, é a mentalidade suscetível à influência na qual os assassinos se encontravam. Cho já havia sido declarado instável e perturbado, sofria de um distanciamento social e calculou friamente seu crime. Será mesmo que foi ao assistir Oldboy que ele decidiu marchar até sua escola e matar algumas pessoas, suicidando-se logo em seguida? Não teria ele se inspirado nos próprios fatores sociais, tais como o massacre de Columbine? E o jovem de 17 anos, por sua vez, não matou seu inocente irmão de 10 anos porque se inspirou em Dexter, um personagem que tem seu lado luminoso e que, por sua vez, acabou de ter um filho na série. Se há algo que o seriado prega sem pudor é de que o personagem é um caráter subversivo que de forma alguma machuca inocentes. Sua sede por sangue é satisfeita sob a justiça. Talvez o garoto precisava de compreensão e de certa comunicação dentro de casa. Convenhamos, matar seu próprio irmão (de 10 anos!) requer uma completa instabilidade psicológica. Algo que em nada tem a ver com a ironização da vida provocada por Dexter.

Também me recordo de O Apanhador no Campo de Centeio, livro que retrata a vida de um jovem de 16 anos que busca uma espécie de fuga da sociedade em um momento de epifania e depressão. Mark David Chapman, assassino de John Lennon, escreveu no livro que este era seu testamento, logo antes de cometer o homicídio. O livro, claro, foi estigmatizado e hoje interminavelmente discutido. Claro que não influenciou Chapman, um homem muito perturbado e em um espaço obscuro da vida que, provavelmente, se viu identificado no personagem principal de uma forma recomfortante.

O que quero dizer, no fim das contas, é de que a arte é diversamente ambígua, controversa e aberta à diversas compreensões. Se, vez ou outra, uma pessoa mentalmente afetada e espírtualmente fraca enxergue nela estímulos para atos violentos, não é necessariamente culpa do que foi produzido com meras intenções artísticas. Claro que, mais que o desejável, surgem lixos que servem de banalização e apologia à violência, mas estes se tornam obsoletos. A arte não tem culpa. É a sociedade que molda e cria estas mentes perversas e são as pessoas ao redor delas que as dignificam. O propósito da arte é incitar sentimentos, emoções e, mais comumente, a diversão. Mas é claro que a sociedade precisa culpar alguém. E é aí que obras de arte tornam-se alvos de ignorância.

Se a arte pode banalizar a violência é porque a população a consome. Vive sobre ela como um animal faminto. A esse ponto, a violência (e sua cultura) tornou-se incontestável na sociedade como a conhecemos. Que os conservadores tomem cuidado ao mostrar a Bíblia aos seus filhos. Será que eles pulam o capítulo que conta a história de Caim e Abel?

Publicado em: às dezembro 9, 2009 em 7:05 am  Comentários (5)  
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